Resenha: Quase Uma Rockstar – Matthew Quick

Título: Quase Uma Rockstar
Editora: Intrínseca
Autor: Matthew Quick
Páginas: 256
Ano: 2015

Nota:  

Sinopse: Desde que o namorado da mãe as expulsou de casa, Amber
Appleton, a mãe e o cachorro moram em um ônibus escolar. Aos dezessete anos e
no segundo ano do ensino médio, Amber se autoproclama princesa da esperança e é
dona de um otimismo incansável, mas quando uma tragédia faz seu mundo desabar
por completo, ela não consegue mais enxergar a vida com os mesmos olhos. Será
que no meio de tanta tristeza e sofrimento Amber vai recuperar a fé na vida?
Com personagens cativantes e uma protagonista apaixonante, Matthew Quick
constrói de forma encantadora um universo de risadas, lealdade e esperança
conquistada a duras penas.


Amber Appleton é uma menina de dezessete anos que mora com
sua mãe e seu cachorrinho no “amarelão”, o ônibus escolar que a mãe dirige para
trabalhar. Desde que foram expulsas da casa do namorado de sua mãe, as duas não
levam uma vida fácil, passam por maus bocados e nem sempre conseguem colocar
comida na mesa. Amber ainda precisa lidar com sua mãe quase sempre exagerando
na bebida. Apesar das dificuldades, ela é uma das meninas mais otimistas que
qualquer pessoa já conheceu, servindo de inspiração para muitas outras.  

Até que um dia uma tragédia inimaginável acontece e vira o
mundo de Amber de cabeça para baixo. Seria ela capaz de manter a fé e o otimismo
no momento mais difícil?

Quase Uma Rockstar é um livro sensível e divertido, que
despertou em mim várias emoções ao longo da leitura.

Nunca tinha lido nada do autor, mas gostei da escrita dele.
A narrativa, feita em primeira pessoa, é leve e flui bem. Eu demorei alguns
capítulos para me envolver com a história, mas, por conta da escrita informal do
autor, eu acabei me aproximando mais dos personagens conforme a leitura se
desenvolvia. 

Amber é uma personagem extremamente otimista e de uma fé (quase)
inabalável. Ela enxerga o melhor das pessoas e é muito bonita a forma como ela
vê a vida, apesar dos inúmeros problemas. Amber é uma menina com o coração de ouro: ela
faz trabalho voluntário, ajuda todos como pode e reza por todas as pessoas que
conhece. Tudo isso sem contar para
ninguém, nem mesmo seus amigos, as dificuldades que está passando com sua mãe.

A história em si é tão positiva que por momentos foge da
realidade e isso me incomodou em alguns pontos. A personagem é tão otimista que
chega a beirar a inocência, o que me fez duvidar da idade dela por algumas
vezes. Sabe quando a atitude não condiz com uma menina de dezessete anos que já
passou por tanta coisa na vida? Pois então. O otimismo exagerado de Amber, em
determinados momentos, me pareceu forçado demais. Como se trata de uma ficção,
eu tentei relevar esses pontos…

“E
tem mais: o gosto da minha mãe para homens é parecido com o gosto de um viciado
para crack. Qualquer coisa serve. E todos os seus entes queridos mais próximos
(eu) acham um saco quando mi madre está fumando uma nova pedrinha masculina,
porque – para ser bem sincera – ela fica meio alucinada.” p.13


É possível perceber que o autor trabalhou bastante em seus
personagens de forma a criar uma história inclusiva. A nossa protagonista faz
parte do grupo de amigos intitulado Os Cinco, que é formado por Ty (o único menino negro da cidade),
Jared (um menino gago), Chad (que anda de cadeira de rodas e é irmão de Jared) e
Ricky
(um menino diagnosticado com autismo). 

Esse círculo de amigos foi bem trabalhado na trama, o autor os inseriu no ambiente escolar de forma a criticar as práticas de bullying. Os Cinco são
extremamente cativantes. O destaque fica para Ricky, que é um menino doce e que
conquista o leitor logo nas primeiras páginas.

O livro possui uma grande quantidade de personagens
secundários, mas todos eles foram bem construídos. O personagem que mais chamou
minha atenção foi Soldado Jackson, que após ter voltado da Guerra do Vietnã,
vive escrevendo Haicais. Para quem não conhece, haicai é uma forma de poesia
japonesa que possui três linhas e dezessete sílabas.

Ainda que essa tenha sido uma boa leitura, de certa forma eu
esperava mais. Não foi um livro que de alguma forma me marcou ou que a história
tenha ficado por dias na minha cabeça. Acabou sendo uma leitura que após ter
sido finalizada, foi esquecida. Foi um bom entretenimento, mas só.  

A edição publicada pela Editora Intrínseca está muito bem feita. A diagramação da obra está perfeita, não encontrei erros e a capa do livro é muito bonita. Ótimo trabalho da editora! 

Quase Uma Rockstar é uma leitura despretensiosa que passa
uma mensagem de esperança e superação. Indico para quem procura um Young Adult divertido e emocionante. 


Resenha: A Herdeira (Os Lobos de Ester #1) – Janice Ghisleri


Título: A Herdeira – Os Lobos de Ester
Editora: Planeta Literário
Autora: Janice Ghisleri
Páginas: 326
Ano: 2015
Nota: 

Sinopse: Eles eram milenares, míticos e
poderosos, mas foram capturados e tratados como cobaias. Com a ajuda de um
cientista foram libertados, e agora lutam para resgatar os últimos lobos e
começar uma vida nova. Noah era o alfa. Apesar de belo e feroz, carregava
profundas cicatrizes em seu coração. Por isso, estar perto de Ester era a
última coisa que ele podia enfrentar, mas seu beta, Erick, pensava o contrário.
 Tudo estava indo bem para Ester. Ela
tinha uma nova casa, além de uma clínica veterinária, e um admirador secreto
que lhe enviava flores e presentes, até ela atender um chamado para ajudar um
animal ferido. E assim, Ester entrou em um mundo paralelo, onde havia homens
altos, fortes, sensuais e com olhos exóticos que jamais havia visto na vida. Após
o choque de descobrir a verdade sobre seu pai, Ester soube que não era uma
herdeira normal quando o conteúdo do seu testamento foi revelado. Um deles era
um companheiro, e isso teria uma consequência imensa para a sua vida. Porém,
nem imagina o que acontecerá quando descobrirem sua verdadeira identidade.


Ester é apenas uma garota normal,
vivendo em seu novo apartamento e trabalhando em sua clínica veterinária. Ela
vê seu mundo virar de cabeça para baixo ao descobrir o conteúdo do testamento
de uma herança deixada por seu pai – que ela achava estar morto há mais de oito
anos – e os segredos que acompanham o documento.

A partir desse momento, Ester acaba
envolvida em um mundo quase paralelo, onde seres míticos são reais. É nesse
contexto que ela conhece Noah, o alfa, um lobo que carrega consigo cicatrizes
profundas após ter sido capturado e usado como cobaia junto com sua alcateia.
Ele evita a todo custo se envolver com Ester, mas quanto tempo ele poderá
resistir?

“- Ele nunca amaria novamente. Isso
era o que ele pensava, até aparecer a herdeira.”


A Herdeira é o primeiro livro da série Os Lobos de Ester, escrita pela catarinense
Janice Ghisleri. A obra é uma mistura de romance, mistério, ação e erotismo.


O livro possui uma narrativa acelerada, logo no início a
obra já parte para a ação e somos introduzidos a esse novo mundo, caindo de
paraquedas junto com a personagem principal.

“Ester sentiu o medo lhe atravessar o corpo e ficou
parada como uma estátua, e seus dedos doeram apertando a alça de sua maleta
médica. 
– Meu deus, isso é um lobo? – Ester sussurrou”.

Os personagens em geral são bem construídos, até mesmo
aqueles que não fazem parte do arco principal são bem apresentados e é fácil
para o leitor se apegar a eles.

Em alguns momentos do livro senti falta de mais
explicações, principalmente no começo da história. Ela me parecia um pouco
corrida, quase como se faltassem pedaços. Mas acredito que esse seja o ritmo da
obra e, apesar da ressalva, não foi algo que tenha me incomodado no
desenvolvimento total do livro.

A escrita da autora é envolvente, li mais da metade do
livro em apenas um dia. Janice consegue prender o leitor em cada capítulo e nos
deixar curiosos querendo saber o que irá acontecer nos próximos. 



O livro, publicado pela Editora Planeta Literário, possui uma capa muito bonita
e condizente com a história. Não posso opinar sobre a diagramação da versão
física do livro, já que li a versão digital. No e-book não encontrei erros
ortográficos ou de espaçamento.
 


Indico o livro para
aqueles que, como eu, gostam desse viés mítico e estão procurando livros que
unam
ação, romance e lobos fascinantes.


Resenha: Amor ao Pé da Letra – Melissa Pimentel

Título: Amor ao Pé da Letra
Editora: Paralela
Autora: Melissa Pimentel
Páginas: 304
Ano: 2015

Nota:  

Sinopse: Achar o homem perfeito não é fácil e foi isso que a agente literária
Melissa Pimentel, assim como sua personagem, Lauren, descobriu quando se mudou
para Londres de um dia para o outro. Infelizmente, Melissa logo viu que
conquistar um homem era mais difícil do que parecia, mesmo quando ela jurava
não querer nada sério. Foi aí que surgiu a solução: decidiu seguir os conselhos
dos mais populares livros de autoajuda para conquistar homens e criou um blog
para narrar suas experiências. Nasceram daí os encontros de Lauren, que em Amor
ao pé da letra, receberam toques de ficção, como uma legítima comédia romântica.


Lauren Cunnigham é uma americana de 28 anos que abandonou
uma vida estável em Portland para começar uma nova vida em Londres. Lauren está
solteira e busca novas experiências, mas apenas sem compromisso, nada de
envolvimento. O problema é que homem nenhum acredita que ela não quer algo mais
sério e eles sempre acabam fugindo.

Decidida a mudar isso, Lauren resolve transformar sua vida
em um experimento social: a cada mês ela seguirá um guia de relacionamento
diferente – seguindo seus conselhos à risca – até desvendar a mente masculina e descobrir como se tornar irresistível para os homens.

Amor ao Pé da Letra é uma leitura repleta de bom humor, diálogos
espirituosos e tiradas sarcásticas. As aventuras de Lauren no plano amoroso
rendem cenas divertidas, encontros desastrosos e risadas garantidas para o
leitor.

A história da personagem Lauren é fictícia, mas a obra foi
inspirada em situações reais vividas pela própria autora. Ela decidiu seguir
conselhos de especialistas em encontros (lê-se livros de autoajuda) e escrever
um blog sobre isso, o que rendeu quarenta e dois textos, vinte e três encontros
e muitos drinques. Toda a experiência serviu de inspiração para Amor ao Pé da
Letra
, seu primeiro romance.

“Foram
três meses de trepadas incríveis, com uma pessoa com quem eu não me importava
de passar o “antes e depois” – exatamente o que eu queria. E daí chegou aquela
estúpida manhã, quando, num rompante de boa vontade pós-coito, cometi o grande
erro de fazer ovos pro cara. Até o Adrian, que eu pensava que me entendia,
terminou convencido de que eu estava tentando amarrá-lo.” p.13


Todos os personagens foram bem construídos. Eu gostei
bastante de Lauren, que apesar de se mostrar um pouco insegura em determinados
momentos, é uma mulher independente e de personalidade forte, que vai atrás do
acredita mesmo que pague um preço alto por isso. Gosto de personagens femininas
determinadas, exatamente como ela. Os personagens secundários também são
bastante cativantes e divertem o leitor.

A história também possui um lado comovente – relacionado ao passado
da protagonista – que justifica determinadas ações e traz momentos emocionantes ao
livro.

A obra não possui uma divisão por capítulos. Ele é dividido
em partes, com base nos guias amorosos utilizados pela personagem (duração de
cada experimento e os resultados). Essa divisão me deu
a impressão de tornar a leitura um pouco mais lenta, mas de forma alguma a tornou entediante. A escrita da autora é bem direta e de fácil compreensão,
tornando a leitura leve e interessante.

O livro possui um viés feminista muito bacana e tenta fazer
o leitor compreender que não é errado uma mulher ter encontros com homens
interessantes, sem necessariamente projetar um relacionamento sério.

“Nós
achávamos que ele era meio bundão, mas infelizmente, como acontece muitas
vezes, era um bundão bom de cama, e também era capaz de manejar muito bem
aquela criptonita feminina todo-poderosa: o violão. Quanto a mim, eu preferiria
lamber a sola das minhas sandálias depois de uma excursão pela Índia do que me
sentar na beira da cama enquanto um homem me cantava uma música, mas Lucy era
outra história: ela adorava aquilo. Na verdade, ela até cantava com ele. Eu me
arrepio só de pensar.” p.20


A edição da Editora Paralela ficou muito bem feita, com uma
ótima diagramação, além de uma revisão impecável. A capa é muito bonita, bastante
chamativa e confesso que comprei o livro assim que bati os olhos nela.

A obra me lembrou alguns filmes como “O Diário de Bridget Jones” e “Descompensada”, por conta das peripécias da
protagonista. Se você gosta de enredos desse tipo, essa leitura é para você. 
Indico o livro para quem procura um Chick-Lit
descontraído, envolvente e divertidíssimo.


Resenha: Tudo e Todas as Coisas – Nicola Yoon


Título: Tudo e Todas as Coisas
Editora: Novo Conceito
Autora: Nicola Yoon
Páginas: 304
Ano: 2016
Nota: 

 

Sinopse: “Minha doença é tão rara quanto famosa.
Basicamente, sou alérgica ao mundo. Qualquer coisa pode desencadear uma série
de alergias. Não saio de casa. Nunca saí em toda minha vida. As únicas pessoas
que já vi foram minha mãe e minha enfermeira, Carla. Eu estava acostumada com
minha vida até o dia que ele chegou. Olho pela minha janela para o caminhão de
mudança, e então o vejo. Ele é alto, magro e está vestindo preto da cabeça aos
pés. Seus olhos são de um azul como o oceano. Ele me pega olhando-o e me encara.
Olho de volta. Descubro que seu nome é Olly. Talvez eu não possa prever o
futuro, mas posso prever algumas coisas. Por exemplo, estou certa de que vou me
apaixonar por Olly. E é quase certo que será um desastre.”

A trama conta a história de Madeline, uma garota de 17 anos
que possui “IDCG” (Imunodeficiência Combinada Grave), uma doença rara que torna
a menina alérgica a praticamente tudo. Ela foi diagnosticada quando pequena,
por conta de uma alergia que quase a matou, e desde então vive em casa com sua
mãe. Madeline não conhece o mundo “lá fora”. Em 17 anos, ela nunca saiu de
casa. O mundo que ela conhece é visto somente pela janela de seu quarto asséptico e através dos inúmeros livros que já leu. 
Sua vida consiste em ler livros, ter aulas
online, passar o dia na companhia de sua enfermeira, Carla, e ter noites de mãe
e filha.

Madeline, apesar das limitações impostas pela sua doença,
tinha uma vida tranquila e parecia conformada com sua rotina. Mas tudo muda quando uma
nova família se muda para a casa ao lado, trazendo com eles Olly, um garoto que
logo desperta o interesse de Maddy.

Olly tenta se aproximar de Maddy, eles constroem uma amizade
e Maddy sente que está se apaixonando. Mas como ela poderia lidar com isso
estando em sua condição?

Meu interesse por
esse livro se deu quando li a sinopse. Achei que a história me lembrava o
filme “Jimmy Bolha”, uma comédia onde o protagonista
(nosso querido Jake
Gyllenhaal no auge dos 20 aninhos)
possuía uma doença que o obrigava a viver em
uma bolha, literalmente
(clique aqui para assistir o trailer). Sendo assim,
fiquei interessada no enredo e resolvi que faria essa leitura.
E ao final, fiquei encantada com todos os sentimentos
que esse livro foi capaz de despertar em mim.
 

“O
meu aniversário é o dia do ano que mais nos damos conta da minha doença. É  noção da passagem do tempo que faz com que
nos sintamos assim. Outro ano inteirinho de doença, sem nenhuma esperança de
cura no horizonte. Outro ano sentindo falta de todas as coisas que são normais
na vida de qualquer adolescente: a carteira de motorista provisória, o primeiro
beijo, o baile de formatura, o primeiro coração partido, os percalços de
aprender a dirigir. Outro ano em que minha mãe não faz nada além de trabalhar e
cuidar de mim. Em qualquer outro dia, essas ausências são fáceis, pelo menos um
pouco mais fáceis, de serem ignoradas.” p.18


A escrita da autora é leve e descomplicada, fazendo com que
o leitor devore o livro de uma só vez. A narrativa, feita em primeira pessoa, é
bastante dinâmica, intercalando texto corrido com ilustrações, conversas no bate-papo e gráficos, tonando a leitura rápida e interessante. 

Uma
das coisas que mais gostei no livro foram essas ilustrações. Através desses desenhos podemos acompanhar  as anotações de
Maddy em seus cadernos, onde ela coloca seus pensamentos aleatórios e sentimentos,
compreendendo melhor a cabeça da personagem.

O livro é tão envolvente que é capaz de fazer o leitor sentir as emoções da personagem junto com ela. O primeiro amigo, o primeiro amor, a frustração por não ser uma adolescente “normal”, por ter que viver “trancafiada” quando a vontade da personagem é de conhecer o mundo… Eu fiquei angustiada junto com Maddy, sofri e sorri com ela. Foi como se ela fosse uma amiga muito próxima que estava desabafando sobre a vida.

“Li muito mais livros que você. Não importa quantos
você já tenha lido. Eu li mais. Tive tempo para isso.” p.9


Ainda que o livro seja repleto de drama, eu dei boas risadas
com Maddy. Ela é uma garota inteligente, perspicaz e muito amorosa. Maddy não possui amigos por conta de sua
doença, sendo assim, ela passa a maior parte do tempo lendo ou na navegando na internet. Ela
possui um Tumblr de resenhas de livros e suas “resenhas com spoilers” são bem
divertidas, como:

Todos os personagens foram bem construídos e os personagens
secundários também são muito cativantes. Olly é um menino carinhoso e lida com graves problemas familiares, Carla é enfermeira de Maddy e tem um apreço enorme pela
menina. A mãe de Madeline tomou algumas
atitudes durante a leitura que eu claramente não concordava, mas eu conseguia entender. Acho que quando a gente ama demais, fazemos coisas sem pensar direito nas
consequências…

A obra possui uma grande reviravolta, servindo de gancho
para o desfecho do livro. Aliás, eu gostei do
desfecho, mas achei que ele aconteceu de forma rápida. Isso não diminui a qualidade
da obra, mas eu teria ficado completamente satisfeita se esse desfecho tivesse sido mais desenvolvido.

A capa do livro é lindíssima e a diagramação está ótima. Durante a leitura eu encontrei apenas um errinho, nada que incomodasse de fato. Ótimo trabalho da Editora Novo Conceito!

Tudo e Todas as Coisas é um livro com uma narrativa deliciosa e emocionante, capaz de conquistar a atenção do leitor até a última página. Leitura recomendadíssima!


Resenha: Mentirosos – E. Lockhart

Eu tenho tido muita sorte nas minhas últimas leituras e
todos os livros estão conseguindo superar as minhas expectativas. Eu sempre vi
ótimos comentários sobre o livro Mentirosos e minhas expectativas estavam nas alturas! Fico feliz de dizer que ele não só alcançou
como superou todas elas, se mostrando um livro ainda melhor do que eu
imaginava.

Mentirosos é um suspense moderno escrito de forma muito
inteligente, capaz de deixar o leitor preso até a última pagina.

Título: Mentirosos
Editora: Seguinte
Autora: E. Lockhart
Páginas: 272
Ano: 2014
Nota: 


Sinopse: Cadence
vem de uma família rica, chefiada por um patriarca que possui uma ilha
particular no Cabo Cod, onde a família toda passa o verão. Cadence, seus primos
Johnny e Mirren e o amigo Gat (os quatro “Mentirosos”) são
inseparáveis desde os oito anos. Durante o verão de seus quinze anos, porém,
Cadence sofre um misterioso acidente. Ela passa os próximos dois anos em um
período conturbado, com amnésia, fortes dores de cabeça e muitos analgésicos,
tentando juntar as lembranças sobre o que aconteceu.


Cadence faz parte da rica e renomada família Sinclair. Todo
ano seu avô, sua mãe, suas tias e seus primos passam as férias de verão na Ilha
Beechwood, uma ilha particular da família, repleta de luxo e varandas com vista
para o mar.


Cadence é a neta mais velha (e futura herdeira da fortuna) e juntamente
com seus dois primos Johnny e Mirren, e com o amigo Gat, formam o grupo
conhecido pela família como “Mentirosos”.

Gat passa todos os verões na ilha desde seus oito anos,
mas não faz parte da família. Ele é sobrinho de Ed, companheiro de uma das tias de Cadence. Gat possui ascendência indiana,
que enfatiza seus traços fortes e pele escura. Ele sente que não se encaixa no grupo de pessoas perfeitas daquela ilha e questiona aquela vida privilegiada. Cadence logo
se encanta por Gat, a amizade entre os dois cresce e vai se transformando em
algo mais.

Mas tudo muda quando aos 15 anos, os Mentirosos passam o
verão na ilha e Cadence sofre um estranho acidente.


Dois anos se passam e Cadence convive com amnésia,
fortes dores de cabeça e muitos remédios. A família inteira se nega a dar
detalhes sobre o acidente ocorrido no passado, mas ela resolve que é hora de
tirar a limpo essa história e vai passar mais um verão na ilha em busca de
respostas sobre o que realmente aconteceu.

 
A história gira em torno das relações familiares, segredos,
expectativas e aparências. Os Sinclair são a típica família rica e poderosa,
que não se deixa abalar por nada e seus integrantes – completamente egocêntricos
– quase não demonstram sentimentos. Alguns personagens demonstraram uma frieza
tão grande que eu me vi revoltada com eles em vários pontos.

“Bem vindo à família Sinclair. Ninguém é criminoso. Ninguém é viciado. Ninguém é um fracasso. […] Talvez isso seja tudo o que você precisa saber a nosso respeito.” p.13-14


A trama possui uma narrativa em prosa lírica, com
capítulos curtos, o que tornou a leitura mais ágil e me deixou ainda mais intrigada.
Enquanto lia eu sentia que tudo aquilo era muito real. E. Lockhart construiu um
suspense bem sólido e sem furos.

A escrita da autora é crua, e de certa forma ácida, com
frases curtas e uso de metáforas que tornam o livro ainda mais impactante.

O
livro possui uma grande quantidade de personagens secundários, o que pode
parecer um pouquinho confuso no início, mas a edição contém uma árvore
genealógica que me auxiliou bastante quando eu não lembrava quem era mãe de
quem. Todos os personagens, tanto os protagonistas quanto os
personagens secundários, foram muito bem construídos, cada um com sua
personalidade e ideologia.

Eu presto muita atenção aos detalhes em minhas leituras,
então lá pela página 70 eu acabei suspeitando sobre o que realmente aconteceu
no acidente da protagonista. Ao final, minhas suspeitas estavam corretas! Os
leitores mais atentos irão encontrar pistas durante toda leitura. O fato de ter
descoberto antes não tirou o brilho da obra, pelo contrário, só mostrou o
quanto o livro é inteligente e arrebatador!

“Minha mãe e suas irmãs eram dependentes do meu avô e seu dinheiro. […] Nenhuma delas fez nada útil no mundo. Nada necessário. Nada corajoso. Ainda eram garotinhas tentando cair nas graças do papai. Ele era o pão e a manteiga, o leite e o mel também.” p.195


A capa do livro é linda e condizente com a história, não
encontrei erros ortográficos e a fonte está em um ótimo tamanho, não tornando a
leitura cansativa aos olhos. A edição ainda possui um mapa da ilha, além da
árvore genealógica que citei, o que torna a leitura ainda mais interessante.
Ótimo trabalho da Editora Seguinte!
 


Sem dúvidas eu indico essa leitura. Se você procura um suspense emocionante, primoroso e
surpreendente, Mentirosos é a escolha perfeita.


Resenha: A Maldição do Vencedor (Trilogia do Vencedor #1) – Marie Rutkoski

Olá, pessoal! 

Primeiramente gostaria de explicar meu sumiço do blog esses dias. Estou em final de período na faculdade (finalmente) e ando enrolada com muitos trabalhos e provas. Tive que dar uma pequena pausa nas leituras para focar nos estudos, mas semana que vem acabam as aulas e volta tudo ao normal. tô sonhando com as férias

Mas vamos ao que interessa: hoje trago para vocês a resenha de um livro que me ganhou completamente: A Maldição do Vencedor.

Título: A Maldição do Vencedor (Trilogia do Vencedor #1)
Editora: Plataforma 21
Autora: Marie Rutkoski 
Páginas: 328
Ano: 2016
Nota: 



Sinopse: Kestrel quer ser dona do próprio destino. Alistar-se no
Exército ou casar-se não fazem parte dos seus planos. Contrariando as vontades
do pai – o poderoso general de Valória, reconhecido por liderar batalhas e
conquistar outros povos -, a jovem insiste em sua rebeldia. Ironicamente, na
busca pela própria liberdade, Kestrel acaba comprando um escravo em um leilão.
O valor da compra chega a ser escandaloso, e mal sabe ela que esse ato
impensado lhe custará muito mais do que moedas valorianas. O mistério em torno
do escravo é hipnotizante. Os olhos de Arin escondem segredos profundos que,
aos poucos, começam a emergir, mas há sempre algo que impede Kestrel de
tocá-los. Dois povos inimigos, a guerra iminente e uma atração proibida… As
origens que separam Kestrel de Arin são as mesmas que os obrigarão a lutarem
juntos, mas por razões opostas. A Maldição do Vencedor é um verdadeiro triunfo
lírico no universo das narrativas fantásticas. Com sua escrita poderosa, Marie
Rutkoski constrói um épico de beleza indômita. Em um mundo dividido entre o
desejo e a escolha, o dominador e o dominado, a razão e a emoção, de que lado
você permanecerá?

A trama conta a história de Kestrel, uma
garota de dezessete anos, filha de Trajan, um poderoso general valoriano.

O que Kestrel realmente deseja é ter a liberdade de fazer
suas próprias escolhas. Mas isso não será possível, já que antes de completar vinte
anos, ela deverá escolher entre casar-se ou entrar para o exército. Seu pai
quer que a filha siga seus passos e se torne um soldado do exército valoriano,
mas Kestrel não leva jeito para lutas corporais e ataques, um dos motivos para
não querer se alistar. O que ela realmente desejava era viver de
música – como dedicada pianista que era – mas aos olhos da sociedade
valoriana, música era um prazer a ser recebido, não praticado.

Em um de seus passeios com sua amiga Jess, Kestrel acaba
parando em um leilão de escravos e ao ouvir o leiloeiro dizer que o escravo
ofertado sabia cantar, Kestrel o compra por uma quantia extremamente alta.
Este escravo é Arin, um herrani misterioso e orgulhoso, vendido como ferreiro e
que esconde alguns segredos…

Os herranis eram um povo que possuía um país com muitas
riquezas e mercadorias, além de olharem para os valorianos como selvagens sem cultura. Os herranis tinham dominado o mar e possuíam uma marinha muito sofisticada, até
que foram atacados pelos valorianos, o que deu início a Guerra de Herran. O
ataque foi feito por terra e os herranis não estavam preparados, sendo assim acabaram
por se render. Preferiram uma vida como escravos à morte.

Aos poucos, Kestrel e
Arin começam a se aproximar e a nutrir sentimentos um pelo outro. Mas seriam
esses sentimentos suficientes para ultrapassar as barreiras entre eles? O que
deveria vir primeiro: amor ou lealdade? Coração ou razão?

Eu confesso que achei a narrativa um pouco lenta no início. Mas lá para a página 80, a história começou a engatar e daí para
frente eu não consegui mais tirar os olhos deste livro!

“- Você não frequenta leilões, não é? A Maldição do Vencedor é quando você vence as ofertas, mas só pagando um preço exorbitante.” p.19


A obra tem um enredo político muito bem trabalhado. O
romance inserido no livro – ao meu ver – é importante, mas não é o foco principal. Em um mundo cruel e cheio de desigualdades, o
sentimento acaba ficando como algo secundário. Além disso, o romance não é inserido
daquela forma clichê de amor à primeira vista. Ele é construído aos poucos e cresce
durante o desenrolar da história.

A trama, repleta de conspirações e reviravoltas, foi escrita de forma envolvente e inteligente. Os personagens foram muito bem construídos e toda
ambientação também. Marie criou um mundo único, com uma riqueza de detalhes
esplêndida e tudo isso escrito de forma nem um pouco entediante. A obra fez
com que eu me sentisse imersa na história, como se observasse os personagens bem de perto.

Kestrel é uma ótima personagem! Estrategista nata, ela é boa com manipulações, é sagaz e destemida! Ela sabe como jogar
para vencer.

– Você pode não me ver como amiga – Kestrel disse a Arin -, mas eu vejo você como um.” p.136


Sobre capa e diagramação: encontrei apenas um errinho de espaçamento, nada que incomodasse realmente. A capa desse livro é linda e tem uma textura meio “aveludada”, gostosa de tocar. O livro possui páginas amareladas e fonte em um ótimo tamanho para leitura. A obra ainda possui um mapa com os territórios mencionados na história, facilitando o entendimento do leitor. Ótimo trabalho da Plataforma 21!

O livro teve um final arrebatador e conseguiu me deixar
louca pelo segundo volume! Não vou me estender mais porque quero que vocês sejam surpreendidos assim como aconteceu comigo.Então tudo o que posso dizer é: leiam. Vocês não vão se arrepender!

Resenha: Os Cretinos Não Mandam Flores – La Moderna

“Todos os caras são uns cretinos? Ou só aqueles que nos
interessam?”


Título: Os Cretinos Não Mandam Flores
Editora: L&PM
Autora: La Moderna 
Páginas: 160
Ano: 2015
Nota: 


Sinopse: Mix de manual de sobrevivência para relacionamentos e graphic novel, este livro é capaz de fazer qualquer mulher rir (nem que seja de nervosas). Aqui estão os tipos mais encontrados de cretinos, entre eles o Peter Pan que nunca cresce, o Fugitivo que desaparece do nada e o Bumerangue, que volta quando você está começando a esquecê-lo. Com design moderno, todo colorido e com narrativa no estilo de um blog, Os cretinos não mandam flores é um livro inovador que conversa diretamente com as leitoras, unindo textos inteligentes a imagens divertidas.


Esse livro ganhou minha atenção de primeira. Assim que bati o olho na capa, eu sabia que tinha que levar! E posso garantir que o conteúdo é ainda melhor!

A obra conta a história de uma garota do interior
que quer começar uma nova vida. Ela se muda para a cidade grande e passa a
dividir um apartamento com mais duas amigas. A garota, que anteriormente passou
por uma desilusão amorosa, se convence de que no meio de tanta gente ela não
irá demorar a encontrar alguém melhor. O
que ela não esperava era conhecer uma longa lista de cretinos, que trariam com
eles vários aprendizados e enrascadas…
Essa foi a primeira graphic novel que eu li e simplesmente
adorei. 
A narrativa é simples e direta, fluindo muito bem. O enredo foi muito bem construído, La Moderna criou uma história de fácil identificação (que mulher nunca se deparou com um cretino?!), com um
toque de feminismo e que nos arranca boas risadas.

Durante a leitura podemos identificar vários tipos de cretinos
como: Cretino Fugitivo (desaparece do nada), Cretino Clássico (se ninguém vê,
lhe mete chifres), Cretino Fanfarrão (que não tem tempo para um relacionamento),
Cretino Bumerangue (sempre volta quando você está começando a esquecê-lo),
Cretino Greenpeace (muito comprometido com tudo, menos com o relacionamento),
entre outros. Eu confesso que enquanto lia, eu acabei dando nome aos cretinos,
porque já teve cada figura na minha vida… Hahaha!


Uma das coisas mais legais do livro é que é possível
acompanhar todas as fases que a personagem passa, desde as decepções e o
repúdio ao amor verdadeiro até a volta por cima e encontro do cara ideal. É
delicioso acompanhar o amadurecimento e as transformações que houveram na vida
da personagem.
Tudo com feito com muito
bom humor e sem papas na língua! 


As ilustrações são o ponto alto da obra. Eu
fiquei apaixonada pelos traços, as cores e as fontes usadas durante toda a
leitura. Os desenhos são capazes de nos prender tanto quanto o enredo em
si. 

Na orelha do livro, você encontra uma espécie de “dicionário das flores” que você pode receber:

livro
foi escrito por Raquel Córcoles, mais conhecida pelo seu alter ego Moderna de
Pueblo 
(publicado como La Moderna no Brasil). A autora espanhola marca presença
nas redes sociais e você pode conferir mais do trabalho dela em seu site.
Aliás, ela lançou recentemente um canal no YouTube com animações dos seus personagens! Para os curiosos de plantão, segue um dos vídeos:

                


Em suma, Os Cretinos Não Mandam Flores é uma obra leve, interessante
e muito divertida! Indico para quem procura uma leitura rápida e de fácil
compreensão.


Resenha: Erros Fantásticos – O Discurso Faça Boa Arte, de Neil Gaiman

“Este livro é para todos que estão olhando ao redor e pensando: e agora?”


Título: Erros Fantásticos: O Discurso Faça Boa Arte
Editora: Intrínseca
Autor: Neil Gaiman
Páginas: 80
Ano: 2014
Nota: 

Sinopse: Em maio de 2012 o autor best-seller Neil Gaiman
subiu ao palco da University of the Arts na Filadélfia para fazer um discurso
de formatura. Durante dezenove minutos ele dividiu com os formandos suas ideias
sobre criatividade, bravura e força, encorajando os novos pintores, músicos,
escritores e sonhadores a quebrar as regras, pensar de forma inovadora e, acima
de tudo, fazer boa arte.
O discurso virou um livro, idealizado pelo renomado designer gráfico Chip Kidd,
que contém o texto inspirador de Gaiman na íntegra. Seja para um jovem artista
no início de sua jornada criativa, ou como sinal de gratidão para um mestre a
quem se admira, ou para você mesmo, essa obra é o presente ideal para quem dá
tudo de si a fim de fazer bem-feito o que faz
.

Para quem não conhece, Neil Gaiman é autor de livros de
grande sucesso como Coraline, Stardust e O Oceano no Fim do Caminho; criador da história em quadrinhos
Sandman, além de ser roteirista de filmes e episódios de séries, como A Lenda de Beowulf e Doctor Who. Neil é sem sombra de dúvidas alguém que tem muito a oferecer quando o assunto é arte.


A obra é uma transcrição em português do discurso que o
autor dirigiu à turma de 2012 da University of the Arts, na Filadélfia. Durante
19 minutos, Gaiman divide suas ideias sobre criatividade, coragem,
jornada e força. Ele discursa sobre as dificuldades de ser um artista e o
quanto isso pode ser bom. Encoraja os formandos a criarem suas próprias regras e
começarem a pensar de forma inovadora, mas acima de tudo, incentiva cada um dos alunos a fazer boa arte.

Em seu discurso, Gaiman tenta passar o que ele gostaria de saber quando estava começando na carreira e coisas que, olhando para seu passado, ele talvez já soubesse. O autor foi despretensioso ao contar sua experiência no ramo editorial, sem tentar embelezar a coisa toda. Ele conta que já viveu como freelancer, recusou ótimas propostas de trabalho porque sabia que seria infeliz naquele emprego, já mentiu no currículo e fez de tudo para alcançar o que sempre quis: viver da escrita.

Em uma das passagens mais inspiradoras, Gaiman tenta transmitir aos alunos a ideia de que tudo pode ser transformado em arte:

“Seu marido fugiu com um político? Faça boa arte. Sua perna foi esmagada e engolida por uma jiboia mutante? Faça boa arteA Receita Federal está na sua cola? Faça boa arteO gato explodiu? Faça boa arteAlguém na internet acha que o que você faz é idiota ou ruim ou pouco original? Faça boa arteProvavelmente as coisas vão se resolver de algum jeito, e no final o tempo vai abrandar a dor, mas isso não importa. Faça o que só você faz de melhor. Faça boa arteFaça também nos dias bons.”


Gaiman ainda nos mostra que cometer erros é ótimo, porque isso quer dizer que você tentou. E que alguns erros podem virar acertos incríveis, assim como aconteceu
com ele:

Espero que você cometa erros. Se estiver cometendo erros,
quer dizer que está por aí, fazendo coisas. E errar pode acabar sendo útil.
Certa vez escrevi Caroline errado em uma carta; inverti a posição do A e do O e
pensei: “Coraline parece um nome de verdade…”


As poucas páginas do livro não diminuem o aprendizado que ele nos traz. Em poucos minutos de leitura, eu refleti sobre diversas
situações e escolhas que já fiz, além de me sentir inspirada a correr atrás de
outros objetivos e sonhos que tenho em mente. Um livro que te encanta do início ao fim,
Gaiman nos toca com suas palavras e nos inspira de todas as formas.

É possível encontrar o vídeo do discurso no YouTube, mas essa é uma das edições mais inspiradoras que você vai ter o prazer de ter em mãos. Além de ser um
colírio aos olhos na estante. O livro é idealizado pelo renomado designer Chip Kidd, responsável pelo projeto gráfico do livro, que através de um trabalho incrivelmente bem
feito com artifícios de metalinguagem, transforma o discurso em uma edição física inovadora.

O Discurso Faça Boa Arte, de Neil Gaiman, nos incita a
aproveitar o momento. Não se preocupe com o próximo prazo, a próxima ideia, a
próxima história. Aproveite. Viva o presente. E cometa erros fantásticos.

Resenha: O Anjo e o Leviatã – Martha Ricas

Olá, leitores!

Hoje trago a resenha do conto O Anjo e o Leviatã, que faz parte da antologia “Criaturas do Submundo”. O livro é composto de dezoito contos de Dark Fantasy nacionais e foi publicado pela Editora Wish.

Título: Criaturas do Submundo
Editora: Wish 
Conto: O Anjo e o Leviatã
Autora: Martha Ricas
Páginas: 168 (71 – 106)
Ano: 2016
Nota: 

Sinopse: A delicadeza brutal dos contos de dark fantasy cria forma em uma antologia inédita no Brasil.Não deixe que a presença das Criaturas do Submundo lhe assuste. Vampiros, Lobisomens, Fadas, Dragões, Feiticeiros, Sereias e outros elementos míticos são desconstruídos para tornarem-se mais sombrios do que você jamais sonhou. Os 18 contos selecionados desta antologia alcançam a melhor essência da fantasia em enredos assustadores e inimágináveis. Aventure-se pelo passado, presente e futuro do incrível gênero Dark Fantasy.


Skoob | Compre aqui | Site da autora 

Escrito por Martha Ricas, autora de Querubins: A Sentença da Espada (resenha aqui), o conto O Anjo e o Leviatã nos apresenta Ashira, uma querubim que é enviada a Terra para cumprir uma missão em um Feudo governado pela família de Lorde Julian Straufus.


Julian – o Príncipe de Thornwall – é um homem frio e sem escrúpulos, que possui uma alma atormentada e é capaz de passar por cima de qualquer coisa para alcançar aquilo que deseja.

Ashira deve provar o seu valor como guerreira e tem por dever destruir o Leviatã que trará muitas mortes e sofrimento para o povo, além de lidar com as consequências da ambição de Julian.


A narrativa em primeira pessoa é feita de forma intercalada, o que nos permite entender melhor o ponto de vista de cada personagem e a razão de seus atos.


Ashira é uma personagem forte e ao mesmo tempo sensível, se compadece com o sofrimento alheio e faz o que pode para ajudar aos outros, colocando as necessidades do próximo à frente das suas.


Mesmo com poucas páginas, Martha nos apresentou personagens muito bem construídos. O conto serve também como introdução da personagem Ashira, que será a protagonista do novo livro da autora, intitulado “Querubins: A Balança do Coração”, que será lançado em breve pela editora Coerência.

Martha Ricas também é autora de “Querubins: A Sentença da Espada”, que já foi resenhado aqui no blog e foi uma das melhores leituras que fiz no ano de 2015.

“Meu nome é Ashira, e essa é uma história de cavaleiros e canções, damas e castelos, monstros e heróis. Contudo, embora pareça, eu não vim para fazer parte de um conto de fadas: eu sou uma querubim em uma missão e ela inclui salvar e matar.” p.72


Não posso falar muita coisa para evitar spoiler, já que o conto é bem curtinho, mas posso dizer que, mais uma vez, Martha escreve com maestria uma história que nos faz sentir presentes em outra época, capaz de nos prender até o último segundo.

E para quem ficou curioso sobre o próximo lançamento da autora, deixo aqui capa e sinopse:

Sinopse: A querubim Ashira é
enviada para a bela cidade de Florença, na Toscana renascentista. Apesar do
lugar exalar arte, beleza e romance, ela precisará adentrar nos segredos mais
profundos dos corações de seus moradores, sendo enviada para a casa dos
governantes implacáveis, os Médici. Tudo se complica quando Ashira conhece o
jovem pintor Lucca, que se encanta por ela e a jovem Graziella di Médici, a
herdeira temperamental para a qual trabalha disfarçada de dama de companhia.
Belos cenários, intrigas familiares e romances proibidos marcaram o solo
italiano e impactarão o leitor nesta nova inserção querubim.


E aí, alguém já leu O Anjo e o Leviatã? Quer ler? Me conta!



Resenha: Amor em Jogo – Simone Elkeles

Quando eu comecei a ler esse livro, eu achei que essa seria
uma leitura bem fraquinha e já era quase certo que eu não iria gostar… mas eu
queimei a língua. O livro foi uma grata surpresa e se mostrou um romance
adolescente delicioso (da metade para o final, devo dizer).

Título: Amor em Jogo
Autora: Simone Elkeles
Editora: Globo Livros
Páginas: 360
Ano: 2014
Nota: 

Sinopse: Ashtyn Parker já está acostumada a ser abandonada,
e aprendeu a não se deixar envolver demais em nenhum relacionamento. Quando sua
irmã mais velha volta para casa, depois de dez anos, com um enteado a tiracolo,
ela não quer saber de nenhum dos dois. O que Ashtyn não esperava é que o tal
garoto mal-encarado e sem nenhum limite seria também… Irresistível.




Ashtyn Parker é uma menina que desde cedo teve que aprender
a não confiar nas pessoas. Ela cresceu apredendo a lidar com um fato terrível:
ela sempre é abandonada.
Sua mãe a deixou quando ela tinha 10 anos e sua irmã, Brandi, foi embora de
casa logo depois. Seu pai, abalado por ter sido abandonado por sua esposa e
filha, se tornou um homem frio e esqueceu que ainda tinha outra filha que
precisava de seu carinho e atenção.

Ashtyn cresceu e se tornou uma garota durona. Na tentativa
de chamar a atenção de seu introvertido pai, ela decidiu entrar para o time de
futebol americano do colégio, já que é um esporte que seu pai adora. Mesmo
sendo a única menina do time, Ashtyn se dedicou tanto ao futebol que ganhou não
só o respeito dos outros jogadores, mas também se tornou uma das melhores
Kickers que já passaram pelo time.

As tentativas de chamar a atenção de seu pai foram em vão,
mas a vida trouxe coisas maravilhosas para Ashtyn: o futebol, amigos incríveis
e Landon, seu namorado e Quarterback do time do colégio.
Quando Ashtyn pensa que sua vida está nos eixos, sua irmã, Brandi,
reaparece em sua casa e traz duas surpresas com ela: um filho e um enteado.

Derek Fitzpatrick, o enteado de Brandi, acabou de ser
expulso do colégio em que estudava, na California. Seu pai é da Marinha e está
em uma viagem de trabalho que durará meses. Ele vivia com Brandi e o filho dela
(Julian), tinha bons amigos e uma vida estabelecida na California. Quando
Brandi descobre que está grávida, resolve voltar para a casa de seu pai em
Chicago e Derek se vê obrigado a ir morar em um lugar que não quer e levar uma
vida que ele nunca pediu.

Quando Derek e Ashtyn se encontram pela primeira vez, as coisas
não vão muito bem. A implicância é gratuita… e a atração também.

O livro é narrado em primeira pessoa, alternando entre o ponto de vista de Ashtyn e o de Derek, o
que faz com que a gente entenda melhor as atitudes de cada personagem (mesmo
quando achamos que o personagem foi um grande babaca)
.

O romance entre o casal principal se desenvolve gradativamente,
não é nada arrebatador, embora a conexão entre os dois seja inegável desde o
primeiro contato. Existe uma “tensão sexual” durante boa parte do livro, visto
que os personagens são adolescentes e estão atraídos um pelo outro. Os dois
são completamente opostos e existe aquela coisa meio de “gato e rato”, um adora perturbar
o outro e internamente eles se divertem com isso.

Gostei bastante da autora ter criado uma personagem feminina
que fosse jogadora de futebol americano em um time de meninos. A personagem passa
por cima de todos os preconceitos para mostrar que o talento dela é algo muito
maior que o fato dela ser mulher.

“Sabe
[…] só porque você pode lidar com merda sozinha não significa que precise
fazer isso.” p.68


No geral os personagens são cativantes, mas o livro, para
mim, deu uma reviravolta quando a personagem Elizabeth Worthington, avó de
Derek, foi inserida na história. O enredo se tornou muito mais dinâmico,
divertido e me fez querer saber mais sobre essa senhora. A avó de Derek, em um
primeiro momento, se mostra uma senhora esnobe, podre de rica e insuportável.
Mas com o decorrer da história, a personagem traz até um tom cômico para o
livro e percebemos que ela só quer ver o neto feliz.

Eu nunca tinha lido nada da autora, mas gostei bastante da
escrita dela. É bem simples, direta e envolvente. Ao meu ver, Simone evoluiu
muito da metade do livro para o final, e a história ficou muito mais interessante.



O livro toca em alguns pontos dramáticos, mas que não são
desenvolvidos a fundo, o que faz com que a obra ainda seja leve e divertida. Não
foi a melhor leitura que eu já fiz, mas o livro passa longe de ser ruim. Muito
pelo contrário; apesar de ser um pouco clichê, a história prende o leitor e faz
com que a leitura flua muito bem.

Apenas uma coisa me incomodou no livro: o final. Achei o
final da história tão corrido que fiquei sentindo falta de algo mais. O livro
merecia um final mais elaborado.

“[…] Dois pensamentos cruzam minha mente: ela acha que sou
um marginal e eu acho que ela é completamente louca. Um de nós está certo. E
não é ela.” p.30


A capa do livro é uma graça! A edição possui páginas
amareladas e a fonte está em um ótimo tamanho, não tornando a leitura
cansativa. Eu encontrei alguns erros ortográficos e de espaçamento, mas nada
que de fato me incomodasse ou atrapalhasse a leitura.

Mais do que um romance, Amor em Jogo é um livro que fala
sobre família, futebol, culpa, sonhos e sobre como somos capazes de abrir mão
daquilo que mais queremos pelas pessoas que amamos.